Alguns infinitos são maiores que outros…

Após sete horas de leitura frenética, terminei A Culpe é das Estrelas, de John Green.

Entendo, é um best-seller, foi escrito para ser vendido, eu sou uma leitora “medíocre” que se derrete por esses modelinhos pré-formados, blá blá blá… Mas o livro me fez pensar muito no papel da doença na vida das pessoas: ela nos transforma? ela nos revela?

Durante três anos e meio, eu quis viver como se ela não existisse, hoje parece que eu a aproximo cada dia mais da minha vida, procurando conhecer mais sobre a esclerose, me especializar profissionalmente para um dia poder trazer algum benefício para pacientes de EM. O último ponto me lembra Augustus, será que tudo isso é medo de ser esquecida? Estou muito ciente de que as duas patologias nem se comparam em vários aspectos! Mas ambas são patologias… 

Segundo o artigo de Stelli, Junges, Meneghel e Vial (2007), “A doença na vida de uma pessoa é um caminho, nem positivo, nem negativo em si mesmo, que pode ser simplesmente percorrido, embora alguns autores entendam que a doença é uma oportunidade para um sujeito tornar-se aquilo que ele é. Os sintomas transmitem mensagens que podem transformar a vida do doente, constituindo-se em oportunidades de autoconhecimento (Dahlke, 1999). A compreensão da doença e a ação da pessoa diante dela são fundamentais na construção de um sentido, na interpretação da situação vivida em decorrência da doença e no entendimento como oportunidade (ressignificação) ou desventura (não-ressignificação).” Como estamos agindo frente à doença? Ressignificando-a? Muitas vezes, eu não faço isso… Mas, como Deus é muito bom conosco, teremos tempo para refletir, podendo encontrar diferentes significados novos!

Em sua dissertação de mestrado, Maria Aparecida de Albuquerque, nos informa sobre o baque de receber o diagnóstico de esclerose múltipla: “De uma hora para outra, o portador, que geralmente é jovem e está na fase mais produtiva da vida, depara-se com as inúmeras limitações impostas pela doença (…) ocasionando mudanças de comportamento e sentimentos como desespero, angústia, medo da morte”. Eu concordo, senti todos! Sei que conforme a doença avança, esses sentimentos podem se intensificar, já que, como disse Kantor (2004), “Toda manifestação física tem um paralelo no universo psíquico”. Porém, devemos lutar contra esses estados emocionais que, como dito acima, nos paralisam, nos impedem de mantermos o curso normal de nossas vidas. Caso você sinta a necessidade de receber um apoio psicológico, procure o sistema de saúde, já que esse tratamento também é um direito seu!

O livro de Green apresenta um romance lindo, por mais trágico que pareça, em que o amor se desenvolve no contexto mais improvável! Quem não queria uma pessoa  como o Gus, super otimista, ao lado?! E todos podem ser esse esperançoso convicto, mesmo convivendo com uma doença, qualquer que seja! Como Hazel afirma algumas vezes, fazendo referência a Van Houten, “Alguns infinitos são maiores que outros…”. Por que, então, não fazemos dos nossos dias bons, infinitos, mesmo em contextos improváveis?!

Referências

http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/58/85a90.pdf

http://site.ucdb.br/public/md-dissertacoes/7751-esclerose-multipla-aspectos-psicologicos-da-doenca.pdf

4 comentários

  1. Olá Ana!!!
    Meu nome é Vanessa e moro em Brasília.
    Há aproximadamente 2 meses desconri que tenho EM.
    Já fiz pulsoterapia pois estava num surto bem “trash”, mas agora esrou bem melhor.
    Andando pela internet descobri seu blog e achei muito legal.
    Gostei do modo como vc trata a nossa “amiga” esclerose, que fica ali, caladinha, vivendo c/ a gente e meio que de repente nos mostra que esta aqui, que veio prá ficar e que de vez em quando surta e fica louca (e deixa nosso corpo louco, junto com ela).
    Quando eu soube da doença fiquei meio sem chão e a ficha só caiu quando fiz a pulso, que me deixo u bem mal por pelo menos uns 4 dias depois que terminou.
    Mas depois as coisas vão se encaixando, voltando pro eixo, mas mesmp assim a vida ñ é mais a mesma, ficou mais lenta por causa da doença.
    Estou me adaptando a esse “novo corpo” que se cansa mais fácil, que estácom as mãos dormemtes e meio descordenadas e as pernas bambas.
    Acrexito que aos poucos as coisas se acertarão e tudo vai ficar bem, até porque o tempo não pára né??
    Enfim, desculpe pelo desabafo, mas às vezes as pessoas, mesmo as mais próximas, ñ tem muita paciência de ouvir!!!
    Enfim, gostei muito do seu blog, continue com as postagens que são muito legais!!!
    Tudo de bom prá vc!!!

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